
Inclusão através dos Super heróis e heroínas
Super heróis e super heroínas podem fazer algo por crianças e jovens com transtornos ou deficiências?
Claro, e muito. Esses seres heróicos auxiliam professores e pais a iniciarem o processo de compreensão de seus alunos e filhos. Servem, muitas vezes, como porta de entrada para socializar com esses educandos, visto que, o seu universo imaginário está sendo reconhecido. O seguinte relato pretende descrever e analisar o potencial que os super heróis propuseram na fase de criação de vínculo entre docente e alunos com diagnosticado de autismo e deficiência mental. Servindo de apoio na relação de ambos e favorecendo na aprendizagem.
Os super heróis não são apenas seres com poderes nas histórias em quadrinhos ou nos cinemas, seus poderes são mais reais do que parecem. Os heróis e heroínas representam os medos, incertezas e dificuldades que muitos dos alunos que convivem com a diferença de serem classificados como “especiais”, alunos de “inclusão”. Eles também vivenciam esse olhar sobre suas características diferentes, seus poderes “especiais” e que precisam ser “incluídos” numa sociedade preconceituosa. Ao admirar esses personagens, lendo ou assistindo-os, os alunos trabalham suas próprias dúvidas, criam empatia com a trajetória que eles vivem, podendo refletir que não estão sozinhos e não são os únicos a sofrer com aquelas angustias.
Quando o aluno ou aluna sente que o (a) seu (ua) professor (a) reconhece essa cultura, conhece ou pretende conhecer a história desses personagens, tende a confiar no educador que o surpreende com o desejo de embarcar no seu universo até então intocável. Através de questionamentos, da escuta e da confiança construída constantemente os super heróis e super heroínas estabelecem uma ponte entre o (a) professor (a) e o (a) aluno (a), uma ponte entre o real e o imaginário, entre o preconceito e a diversidade. É preciso paciência e um honesto desejo em conhecer mais afundo os gostos, os personagens favoritos, aqueles com que o (a) aluno (a) mais se reconhece, quais não gosta e o porquê. Torna-se necessário deixar de lado pré-conceitos sobre os super heróis e heroínas, tentar relembrar suas próprias experiências heróicas, personagens de sua época fazendo sua própria reflexão.
Há várias formas de se começar esse processo. Pode ser por diálogos sobre filmes ou histórias em quadrinhos conhecidos ou que estão em alta no momento, personagens marcantes nessas histórias, pontos que chamaram a atenção ou simplesmente pedir ao aluno ou alunas para que lhe contem a história. Pode ser também por questionamentos sobre quais poderes o (a) aluno (a) gostaria de ter, quais personagens mais lhe agradam e o porquê desse agrado, podendo ser aproveitada dicas que o (a) aluno (a) deixa a perceber: personagem em seus materiais escolares, frases utilizadas ou roupas personalizadas. Outra forma é apresentar heróis e suas historias para analisar junto aos alunos características comuns, nomes diferentes entre os demais detalhes possíveis a serem destacados. A forma de abordagem dependerá do nível em que a (o) aluna (o) está, o conhecimento que o (a) professor (a) já tem, das possibilidades dentro da sala de aula e claro da criatividade do docente.
Essas abordagens podem auxiliar no processo de aprendizagem quando são conciliadas as temáticas da aula, podendo trabalhar inúmeras atividades e conhecimentos através dos heróis e heroínas escondidos em cada aluno e aluna. Abaixo será descrito algumas possibilidades:

Super alfabeto: Com essas cartinhas personalizadas com Super heróis e super heroínas de A a Z, pode ser trabalhado com os alunos a ordem alfabética, a nomeação das letras, reconhecimento da letra inicial de palavras entre outras atividades.

Jogo das letras: Essas cartinhas podem auxiliar na alfabetização e na compreensão de que toda palavra tem um determinado número de letras. Além de poder servir como um divertido jogo de cartas dos poderes, que dependerá da criatividade do docente e dos alunos.

Super Livro: Com esse carismático super herói é possível trabalhar o cuidado com os livros, a importância da leitura e da imaginação. Serve como fantoche e pode ser feito junto com a turma, tornando o super mascote da turma.

O mais importante nessas abordagens não é o jogo a ser utilizado ou o personagem a ser escolhido, e sim o super herói ou heroína a ser descoberto por trás do seu aluno, independente de ser um aluno com alguma deficiência, transtorno ou não, ele pode ser um super aluno, desde que você reconheça-o como tal e inspire-o a utilizar os seus super poderes. Seja um super professor e uma super professora, respeite a cultura que cada um carrega em si, reflita sobre o potencial e as possibilidades que você pode estar perdendo ao não utilizar os heróis e heroínas a seu favor. Lembre-se:
“A maior virtude de um herói não está nos seus poderes...
Mas sim nas suas atitudes de bondade e compaixão!”
Superman, Chico Bento em Esperança, 2018.
